E pra comemorar o aniversário tinha
uma pá de criança em volta
De um bolo feito de fubá,
Com seu pai desempregado não
tinha dinheiro nem pra mistura
Sua mãe sem poder dar um
presente sentia culpa.
Maiorzinho ele estava,
da sua idade o mais ligeiro
Cabulava aula pra empinar
pipa o dia inteiro
Era novo mais se
ligava no movimento
De pouco em pouco lhe falavam
que ele tinha mó talento
Um dia ele viu um maluco
com um boot muito louco
Pediu um igual pra mãe
e tomou coqui no côco
Não entendeu porque outro
podia ter e ele não
Estava cansado daquela miséria,
de toda aquela situação
Com 13 anos de idade
recebeu um bom presente
Da malandragem de onde morava,
ficou contente
Uma proposta,
cem reais pra levar mercadoria,
Era fácil é só entregar,
e depois só alegria.
Chegou esse garoto em
sua casa esse dia,
Com mistura sacolas de
Danone a reveria
Surpresa,
sua mãe quando abriu a geladeira
Deu sermão em seu filho com
seu marido a noite inteira:
\"Aonde você arrumou?
Que mercado cê roubou? Nunca
te ensinamos isso.
Pai não roubei,
esse dinheiro eu conquistei,
Ganhei com o esforço
de meu serviço, é isso!
Você nem trabalha menino! Quem te deu
serviço assim tão novo tão cedo?
E mesmo assim isso é estra
nho pra mim,
Por que é que tem muito dinheiro.
Foi sermão a noite inteira,
mas pra ele valeu a pena
Foi diferente de outros dias,
dormiu de barriga cheia
Acordou cedo e disposto sem
medo para o trabalho,
Entregaram uma arma na
mão desse frangalho.
Disseram que ele teria
que cobrar uma dívida,
De um nóia que se pá
ele teria que matar.
Gelo, falo,
pros malucos \"aí num dá\".
E os malucos disse \"ta na
chuva é pra se molhar\".
Quer coragem,
pó cheira dessa carreira,
Que com isso aqui você vai ter coragem
pra matar a noite inteira
E assim foi se tornando o
mais psico da quebrada
Matava sem dor e sem dó,
ossos do ofício, só pelo pó
A cocaína lhe fazia mais
homem nessa sangria,
Um dia ele matou um homem com
quinze tiros e ainda ria
Sua mãe, sua amiga,
de corrida a vida inteira,
Já previa e sentia o
E certo dia o jovem que
era tirado pela maioria
Só por que dizia que era crente e
Jesus em sua vida sentia.
Parou esse garoto e disse
pra ele mudar de vida,
Que aquela era sua chance
que Jesus o ajudaria.
Nem deixou o crente terminar,
já saiu socando,
Dando coronhada na cara
e na nuca do fulano
Gritando, ta tirando,
que mudar de vida, ta tirando
Quer que eu volte a passar fome,
eu sou malandro.
Ele se achava mais homem
que qualquer um,
Uns diziam que ele tinha
jurado um tal de Mussum
E na noite passada sua
mãe ouviu uma pá de tiro,
Saiu lá pra fora e viu o tal
Mussum matar seu filho
Saiu correndo e disse:
\"Deus, cê sabe que eu fiz de tudo...
Mas ele não me ouviu e preferiu
esse outro mundo\"
No velório o pai e a mãe chorando,
poucas palavras,
Conversavam com o corpo do
filho morto naquela sala.
Por ter cessado sua exis
tên cia terrena,
En trega re mos
seu corpo a terra.
Terra a terra, cinza a cin za,
pó ao pó.
O espírito nós os deixamos
nas mãos de Deus.
Esse é o ponto final de uma vida,
no sepulcro não há obras,
Nem conhecimento nem sabedoria,
e a ele todos nós ire mos cedo ou tarde.
Confiemos naquele que diz:
-Eu sou a ressurreição e a vida aquele que Crê
em mim ainda que esteja morto viverá.