O destino me pregando uma outra peça,
eu não que ria
Me cercava toda noite,
com sua flecha e sua guia
Era o tempo me encostando
sua pele traiço eira
Eram noites tão pesadas,
com nuvens sorrateiras
Era a vida me cortando a
carne com seu guizo
Ecoando pelos séculos os sons
de alguns gemidos
Eram meus antepassados
dentro dos bacanais
Era o tempo me emprestando aquilo que eu
não devolveria mais
Era um homem nos meus sonhos me
currando sem perdão
Eram duas velhas mortas se
arrastando pelo chão
Eu soltava os meus cães em meu
peito a soluçar
Abafava os meus gritos,
pois não sabia ladrar
Achei que não era eu
que fazia minha história andar
Punha a culpa no destino ou em quem
estivesse à mão para culpar
E era assim
Êêêê,
ê......
Hoje em dia não me importo com
o que fiz no meu passado
Quero amigos,
sorte e muita gente boa do meu lado
E não rebato se disserem por aí
que eu tô errado
Porque quem se debate está sozinho
ou afogado
Eu, que não fico no meio,
não começo e nem acabo
Eu sou filho do amor, não de Deus,
nem do diabo
Na ciranda das canções eu me ponho
a revezar
Rodando entre as ondas que me puxam
em alto-mar
Hoje sei bem que sou eu que
giro a minha vida circular
Essa roda, eu que invento e
faço tudo nela se encaixar
Eu sou assim
Êêêê,